O que guardar dos sistemas para seus netos

Escrito por Eloi Rene Pscheidt em 19 de maio de 2009, 10:02h

Talvez o título esteja exagerando um pouco no tempo em que as informações precisem persistir. Para a maioria das aplicações, o tempo que a legislação obriga é suficiente, na faixa de 5 anos para alguns ramos de negócio.

Obrigações a parte, deixar uma fotografia das informações atuais em fonte de consulta que funcione quando necessária é o objetivo deste post.

Não são poucos os casos em que a necessidade de imprimir um relatório do sistema de 4 anos atrás porque a auditoria está requisitando deixe o responsável por esta tarefa em maus lençóis. Primeiro porque não sabe mais onde os backups dos bancos estão armazenados. A dura custa descobre em qual fita estava armazenado o seu backup anual (ou mensal). Neste momento se depara com algumas questões que irão atormentá-lo por algumas semanas (dependendo da urgência do auditor, obviamente):

  • Qual era o software gerenciador de banco de dados utilizado naquela época?
  • Existe mídia na empresa para instalá-lo com os patches de correções necessários?
  • PATCHES!!!! Quais?
  • Isso roda no meu sistema operacional atual?
  • … como a lista provavelmente ficará muito grande, vamos a outros fatos.

Imaginando um mundo perfeito, ou o caminho feliz como queiram chamar, mundo e caminhos não compatíveis com a informática, você conseguiu recuperar as bases de dados e pasmem, conseguiu até conectar as bases e contar alguns registros de algumas tabelas. Neste ponto, talvez o seu pesadelo nem tenha começado.

Mais algumas questões irão atormentá-lo:

  • Onde está o ícone de acesso ao sistema?
  • Quais eram os arquivos de parâmetros usados naquela época?
  • Ufa, achei um diretório de ícones e scripts na mídia, estou tranquilo!!!

Aí você descobre que não possui os programas (r-codes no caso do Progress), ou os possui compilados para outra versão do sistema operacional ou do Progress. Você poderá esperar até recebê-los da sua fornecedora de sistema? (Não sou mais cliente, e agora???)

Aí receberá uma versão mais recente do produto, na qual a sua licença de uso do software já tenha expirado. Tudo bem que judicialmente você tem direitos e etc, mas a questão aqui é o tempo que você terá que ficar justificando e dando previsões de quando o tal relatório estará nas mãos do auditor.

Bom, chega de tragédia e vamos imaginar algumas saídas para estas situações. A boa notícia é que a evolução da tecnologia não serve apenas para deixar seus backups ultrapassados, mas também para facilitar a sua vida.

Uma dessas maravilhas é a possibilidade de armazenar uma imagem atual do seu servidor em uma máquina virtual. Isso mesmo, como se você tirasse uma foto do seu servidor e guardasse em um DVD (ou qualquer outra mídia). Precisando retorná-la, copie para outra máquina, aonde haverá um player desta máquina virtual instalada, e coloque o seu servidor para executar novamente, com sistema operacional da época, versão de Progress, produto e etc, tudo funcionando como daquela vez em que a “foto” foi tirada.

Um software capaz de realizar essa conversão de máquina física para virtual é o VMware. Possivelmente outros softwares similares também o façam ou estejam muito próximo de fazê-los.

Aí você perguntará: posso confiar em um backup dessa forma?

A resposta é NÃO. NUNCA confie em apenas uma forma de backup.

Essa forma de armazenamento é ótima para complementar a sua estratégia de backup.

A seguir algumas sugestões de o que guardar do seu ambiente para futuras necessidades:

  • Imagem virtual do servidor, contemplando banco de dados, aplicações e demais informações importantes;
  • backup tradicional das bases de dados, gerado via ferramenta homologada pela fornecedora do SGBD (sistema gerenciador de banco de dados). No caso do Progress, pode ser através da ferramenta PROBKUP ou cópia via sistema operacional, com os bancos fechados (parados) e before-image truncado;
  • dump no formato ASCII das definições dos bancos de dados (.df) e também dos dados (.d), sequências e usuários;
  • backup dos programas (.r, .i*, .p*, .w, todos os arquivos), incluindo atalhos e demais arquivos importantes para o seu ambiente;
  • instalação do Progress com as licenças necessárias;
  • documentar de alguma forma segura o usuário e senha que é necessário para acesso ao sistema e bancos de dados;
  • documentação importante, como data, hora, quem fez, por que fez, qual versão de pacotes de atualização, versão das ferramentas utilizadas, forma como o backup foi feito, como restaurá-lo, etc;
  • exagerar na quantidade de cópias de cada item descrito acima, armazenados em locais fisicamente diferentes e distantes;
  • e mais importante do que tudo isso: testar se você (e também se mais alguém além de você) consegue retornar estes backups.

Enfim, este post não é um documento que assegura o sucesso do seu backup. Ele apenas lhe auxilia a identificar informações importantes a serem guardadas e alguns formatos interessantes de cópia. Aqui estão expostas idéias gerais, não pensando na particularidade de cada ambiente. Planilhas Excel, documentos do Word, OpenOffice, arquivos textos, pdfs, imagens, etc, tudo o que for IMPORTANTE sob o ponto de vista da sua empresa, tem que ser copiado.

Um ditado antigo continua verdadeiro também na informática: “não adianta chorar pelo leite derramado”. Você, profissional de tecnologia responsável pelas informações (DBA ou qualquer outro título), é o responsável pela guarda das informações importantes para a sua empresa.

Categorias: Ambiente

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